Uma mulher foi agredida pelo ex-marido e pela atual namorada dele no hall de entrada do prédio onde reside, no bairro Jardim São Paulo, Zona Oeste do Recife. O episódio violento ocorreu na quarta-feira (3 de setembro) e foi presenciado pelas duas filhas do casal, incluindo um menino de 9 anos com microcefalia.
Detalhes da agressão
O confronto teve início após a vítima, Bárbara Ferreira, perceber a presença da nova companheira do ex-marido no estacionamento do condomínio. De acordo com relatos, existia um acordo verbal para que a namorada não frequentasse o local durante as visitas do pai às crianças. Bárbara então se dirigiu ao veículo e bateu na janela, iniciando uma discussão que rapidamente escalou para violência física.
As câmeras de segurança do prédio registraram os momentos em que o ex-marido, Mohab Henrique, empurrou repetidamente Bárbara enquanto carregava a filha mais nova do casal, de 10 meses. A namorada do agressor também participou das agressões, trocando socos e puxões de cabelo com a vítima no hall de entrada, onde se encontrava também o filho do casal em sua cadeira de rodas.
Contexto do relacionamento
Bárbara e Mohab foram casados por 16 anos antes da separação, ocorrida há três meses. A família mudou-se de Caruaru para o Recife em 2017 para facilitar o tratamento do filho com microcefalia. Segundo a vítima, o ex-marido já apresentava comportamento violento relacionado ao uso de drogas, o que levou à sua internação em uma clínica de reabilitação.
Foi durante este tratamento que Mohab conheceu a atual namorada. Após a separação, foi estabelecido que Bárbara permaneceria no apartamento com as crianças, enquanto o ex-marido ficaria com o veículo da família e se responsabilizaria por levar o filho às sessões de terapia quatro vezes por semana.
Consequências para as crianças
As duas crianças testemunharam toda a violência. O menino com microcefalia, que aguardava o pai para levá-lo à terapia, começou a apresentar crises convulsivas e espasmos após o episódio. A bebê de 10 meses demonstrou grande agitação e passou a recusar ficar longe da mãe.
| Criança | Idade | Condição de saúde | Reação às agressões |
|---|---|---|---|
| Filho | 9 anos | Microcefalia | Crises convulsivas e dificuldade para dormir |
| Filha | 10 meses | Saudável | Agitação e necessidade constante de contato físico com a mãe |
Ações legais tomadas
Bárbara procurou a Delegacia da Mulher de Santo Amaro no dia seguinte às agressões para registrar ocorrência policial. O caso foi cadastrado como “vias de fato por violência doméstica/familiar” e incluiu:
- Registro de boletim de ocorrência
- Realização de exame de corpo de delito
- Solicitação de medida protetiva contra o ex-marido
O exame médico constatou lesões incluindo dedo machucado, escoriações nas costas, hematomas e arranhões no pescoço e região do peito. A vítima relatou ainda ter recebido ameaças de morte durante a agressão.
Pressão familiar e financeira
Bárbara enfrenta pressão da família do ex-marido para retirar a queixa e os vídeos das redes sociais. A sogra da vítima, que fornece apoio financeiro para a família, ameaçou cortar a assistência caso o material não seja removido. A situação coloca Bárbara em dilema entre buscar justiça e garantir o sustento dos filhos.
O ex-marido também entrou em contato com a filha adolescente do casal, de 14 anos, pedindo que convencesse a mãe a retirar as acusações. A adolescente não estava presente durante as agressões.
Divulgação do caso
Os vídeos das agressões foram divulgados pela União Mães de Anjos (UMA), associação que presta assistência a famílias de crianças com microcefalia relacionada ao vírus Zika. A organização tem dado visibilidade ao caso como exemplo de violência doméstica envolvendo famílias com crianças especiais.
Investigação policial
A Polícia Civil confirmou que as investigações estão em andamento pela Delegacia da Mulher de Santo Amaro. Os investigadores estão analisando as filmagens e coletando depoimentos para apurar completamente os fatos. Não há informações sobre possíveis prisões ou indiciamentos até o momento.
Autoridades policiais destacaram a gravidade do caso, considerando especialmente a presença de crianças durante as agressões e a condição de saúde especial de uma delas. A legislação brasileira prevê agravantes penais para crimes de violência doméstica cometidos na presença de filhos.
Impacto na comunidade
O caso gerou comoção entre vizinhos e na comunidade local. Moradores do prédio where ocorreram as agressões manifestaram solidariedade à vítima e preocupação com a segurança das crianças. Alguns testemunhas que tentaram intervir durante as agressões prestaram depoimento à polícia.
Organizações de defesa dos direitos das mulheres e pessoas com deficiência em Pernambuco começaram a acompanhar o caso e oferecer apoio jurídico e psicológico à família. A situação evidencia as dificuldades enfrentadas por mulheres que dependem financeiramente de seus agressores, especialmente quando há crianças com necessidades especiais envolvidas.
Situação atual da família
Bárbara permanece no apartamento com as três crianças enquanto aguarda decisões judiciais sobre as medidas protetivas. A rotina de tratamentos do filho com microcefalia foi temporariamente suspensa devido ao trauma sofrido e às consequências físicas das agressões sobre a mãe.
A família enfrenta incertezas quanto ao futuro suporte financeiro e logístico para os tratamentos médicos necessários. Organizações não-governamentais começaram a mobilizar esforços para oferecer alternativas de apoio à família durante este período.






