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Nordeste lidera queda nas exportações após tarifas dos EUA em agosto

Os estados nordestinos lideraram as quedas percentuais nas exportações brasileiras para os Estados Unidos em agosto de 2025, primeiro mês de vigência das sobretaxas impostas pelo governo norte-americano a produtos do Brasil.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que, dos 27 unidades federativas (incluindo o Distrito Federal), 21 registraram redução no valor exportado para os EUA na comparação entre agosto e julho.

Maiores quedas percentuais por estado

Cinco dos seis estados com as maiores perdas proporcionais pertencem à região Nordeste, enquanto o sexto é da região Norte. A lista é encabeçada pelo Acre, que não realizou nenhuma exportação para os EUA em agosto, após ter vendido madeira, carvão vegetal e obras de madeira no mês anterior.

EstadoExportação em julho (US$)Exportação em agosto (US$)Variação percentual
Acre74.9960-100%
Alagoas7.111.50042.373-99,40%
Pernambuco17.712.0103.402.441-80,79%
Piauí2.872.824679.136-76,36%
Rio Grande do Norte5.874.6481.629.909-72,26%
Ceará168.182.00051.745.700-69,23%

Impacto nos principais produtos exportados

As sobretaxas americanas afetaram especialmente commodities e produtos manufaturados que não obtiveram isenção tarifária. O açúcar, principal produto de estados como Alagoas e Pernambuco, sofreu queda de 88,4% nas exportações para os EUA.

Outros produtos com quedas significativas incluem:

  • Minério de ferro: -100%
  • Aeronaves e partes de aeronaves: -84,9%
  • Motores e máquinas não elétricos: -60,9%
  • Carne bovina fresca: -46,2%
  • Máquinas de energia elétrica: -45,6%

Quedas em valores absolutos

Em termos de valor exportado, São Paulo registrou a maior redução absoluta, com queda de US$ 437,2 milhões entre julho e agosto. Minas Gerais aparece em segundo lugar, com perda de US$ 226,3 milhões.

EstadoRedução no valor exportado (US$)
São Paulo437.212.391
Minas Gerais226.300.089
Ceará116.436.300
Rio de Janeiro73.014.900
Rio Grande do Sul55.493.111

Impacto nas exportações totais por estado

O Ceará foi o estado mais afetado em relação ao total de suas exportações, com queda de 48,81% no valor geral exportado. A dependência do mercado americano era particularmente alta no estado, onde 52% das exportações do primeiro semestre de 2025 tinham os EUA como destino.

Os estados com maiores quedas percentuais em suas exportações totais foram:

  • Ceará: -48,81%
  • Distrito Federal: -46,58%
  • Pernambuco: -45,23%
  • Alagoas: -31,66%
  • Maranhão: -24,26%

Contexto nacional

As exportações brasileiras para os EUA caíram 18,5% em agosto, totalizando US$ 4 bilhões. Apesar disso, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 6,133 bilhões no mesmo período, crescimento de 3,9% em relação a agosto de 2024.

O desempenho positivo da balança comercial foi impulsionado pelos setores de agropecuária e indústria extrativista, que compensaram parcialmente as perdas com o mercado americano.

Medidas estaduais

Diante do impacto das medidas tarifárias, o Ceará decretou situação de emergência e anunciou um pacote de medidas de apoio aos exportadores. O estado foi o mais dependente das exportações para os EUA no primeiro semestre de 2025, seguido pelo Espírito Santo, onde 34% das exportações tinham destino norte-americano.

A situação exigiu que governos estaduais e empresas exportadoras buscassem alternativas de mercado e diversificação de produtos para minimizar os efeitos das restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Foto de Sarah

Sarah

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