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Caso Karina Queiroz: radialista preso por morte em encontro por aplicativo

Uma jovem de 22 anos foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro de sua residência em Ribeirão Preto após um encontro marcado por aplicativo. O principal suspeito, um radialista de 48 anos, foi preso e confessou o crime, mas sua versão dos fatos é contestada pela família da vítima.

Detalhes do crime

Karina Cristina Queiroz foi encontrada sem vida no dia 1º de agosto de 2025 em seu quarto, no bairro Jardim Cristo Redentor. A vítima apresentava dois ferimentos faciais provocados por disparos de arma de fogo, possivelmente de espingarda ou garrucha.

A descoberta foi feita pela amiga que dividia a residência com Karina, que retornou ao imóvel preocupada com a falta de comunicação habitual da vítima. A família destacou que Karina mantinha o costume de informar seus paradeiros como medida de segurança.

Investigação e prisão do suspeito

As investigações levaram à identificação e prisão do radialista Rodrigo César Mucci, conhecido como Rodrigo Totti, dez dias após o crime. A polícia utilizou imagens de câmeras de segurança que mostraram um veículo com placa adulterada estacionado próximo à residência no dia do homicídio.

Elemento apreendidoLocal de encontro
Arma do crimeResidência do suspeito
Veículo utilizadoResidência do suspeito
Simulacro de armaResidência do suspeito
Celular da vítimaBueiro no bairro Cristo Redentor
Chaves da residênciaBueiro no bairro Cristo Redentor

Versão do acusado

De acordo com a Polícia Civil, Mucci confessou o assassinato e alegou que agiu após ser ameaçado pela vítima. O radialista afirmou que Karina ameaçou revelar o encontro para sua esposa caso não recebesse pagamento pelo programa.

Em seu depoimento, o suspeito relatou que:

  • Marcou o encontro para a manhã de sexta-feira, mas não compareceu
  • Recebeu ameaças da vítima durante a tarde
  • Dirigiu-se à residência com a intenção de dissuadi-la
  • Sacou a arma durante a discussão e efetuou os disparos

Contestação da família

Familiares de Karina rejeitam veementemente a versão apresentada pelo acusado. A irmã da vítima, Júlia Queiroz, declarou que não acredita na narrativa de Mucci e nega que Karina realizasse programas sexuais.

“Ele vai contar a versão que vai favorecer ele, porque eu não acredito. Ele entra na casa, faz o que faz e ainda tem tempo de matar ela? É meio contraditório. Que ele pague pelo crime que cometeu”, afirmou Júlia.

Reconstituição do crime

Em 16 de setembro de 2025, a Polícia Civil realizou a reconstituição do homicídio com a participação do acusado. O objetivo era esclarecer divergências entre o depoimento de Mucci e as evidências encontradas na cena do crime.

O delegado André Baldochi, responsável pelo inquérito, destacou que o suspeito admitiu o assassinato, mas existem inconsistências em sua narrativa:

  • Mucci afirma que entrou na residência com a arma dentro da mochila
  • Alegou que a intenção inicial era apenas assustar a vítima
  • Disse que o primeiro disparo não acertou o rosto
  • Negou a ocorrência de um segundo disparo

Posicionamento da polícia

As autoridades policiais manifestam ceticismo em relação à versão do radialista. O delegado Baldochi acredita que o crime foi premeditado, baseando-se em várias evidências:

EvidênciaSignificado investigativo
Adulteração da placa do veículoIndício de planejamento prévio
Ausência de reação de defesaSugere que a vítima foi pega de surpresa
Posição da vítima (sentada)Indica que não esperava o ataque

O delegado afirmou: “A vítima foi atingida de inopino [surpresa], mesmo a versão que ele conta dá a entender isso daí. A vítima não esperava, estava sentada e ele desferiu o disparo de arma de fogo”.

Defesa do acusado

A advogada Júlia Campos, que representa Mucci, declarou que seu cliente está colaborando com as investigações. “O Rodrigo está sendo extremamente colaborativo, principalmente agora na reconstituição. Tudo o que ele falou, até o presente momento, desde a delegacia até agora, está bem coerente com os fatos.”

A defesa afirmou que trabalhará para que “a justiça seja feita” e que o acusado “responda exatamente dentro das suas ações”.

Andamento processual

Rodrigo César Mucci permanece preso preventivamente devido à posse irregular da arma apreendida em sua residência. Sua prisão temporária foi renovada pela Justiça por mais 30 dias.

O inquérito policial deve ser concluído nos próximos dias, com o indiciamento do suspeito por homicídio qualificado. A Polícia Civil também solicitará à Justiça a conversão da prisão temporária em preventiva pelo crime de assassinato.

Qualificação do crime

Até o momento, as investigações não consideram a hipótese de feminicídio. O delegado Baldochi explicou que essa qualificação não se aplica porque não existia relação afetiva entre acusado e vítima, e o crime não teria ocorrido em razão de condição de gênero.

A família de Karina manifestou publicamente o desejo de que Mucci seja condenado pela pena máxima possível, incluindo a qualificação de feminicídio. “A gente está tentando ser forte. Eu espero que ele fique preso até o julgamento e que ele pegue a pena máxima que tenha, o feminicídio”, declarou Júlia Queiroz.

Contexto inicial da investigação

Inicialmente, a polícia instaurou inquérito por latrocínio (roubo seguido de morte) devido ao desaparecimento do celular da vítima. Esse caminho investigativo foi abandonado após a recuperação do aparelho e a confissão do crime por Mucci.

O caso continua sob investigação da Delegacia de Homicídios de Ribeirão Preto, com expectativa de conclusão do inquérito nas próximas semanas.

Foto de Sarah

Sarah

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