O ministro do Turismo, Celso Sabino, declarou nesta quarta-feira (8) que permanecerá no governo federal, afirmando que sua decisão está vinculada à realização da COP30 e aos interesses do estado do Pará.
A declaração foi feita durante sua chegada à reunião da executiva nacional do União Brasil, partido que recentemente decidiu retirar seus integrantes da gestão Lula. O encontro tem como objetivo discutir possíveis sanções contra o ministro por sua permanência no governo.
Contexto da decisão partidária
O União Brasil estabeleceu oficialmente a saída de seus filiados do governo federal, medida que afeta diretamente a posição de Sabino como ministro do Turismo. A reunião desta quarta-feira aborda três pontos principais:
- Intervenção no diretório estadual do Pará;
- Afastamento de Sabino das atividades partidárias;
- Possibilidade de processo de expulsão, com análise pelo Conselho de Ética em até 60 dias.
Justificativas do ministro
Em entrevista breve à imprensa antes da reunião, Sabino apresentou os seguintes argumentos para sua permanência:
| Argumento | Fundamentação |
|---|---|
| COP30 | Proximidade do evento diplomático internacional, marcado para ocorrer dentro de 30 dias no Pará. |
| Base eleitoral | Compromisso com o estado do Pará, sua principal base política e sede da conferência. |
| Projeto de governo | Considera que o atual governo representa o melhor projeto para o país atualmente. |
O ministro enfatizou que considera inoportuna qualquer interrupção em seu trabalho ministerial a menos de um mês da realização da COP30, classificada como a maior reunião diplomática do mundo.
Posicionamento sobre eleições 2026
Questionado sobre seus planos políticos futuros, Sabino confirmou que pretende concorrer nas eleições de 2026, quando deverá deixar o cargo ministerial devido à necessidade de desincompatibilização. Sua declaração indica que:
- Retornará ao Legislativo após o mandato ministerial;
- Mantém aspirações eleitorais para o próximo pleito;
- Considera o governo atual como projeto político adequado.
Críticas internas no partido
Dentro do União Brasil, a posição de Sabino enfrenta resistência significativa. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também integrante do partido e pré-candidato à Presidência, classificou a permanência do ministro como “algo inadmissível”.
Em declarações à imprensa, Caiado afirmou: “Se ele quiser ficar no governo mesmo, é uma imoralidade ímpar. Soldado do Lula e soldado do União Brasil? Como é isso? É uma condição que não pode ser admitida”. O governador demonstrou perplexidade com a possibilidade de um filiado permanecer em “uma estrutura de governo que é oposição frontal àquilo que o partido defende e pensa”.
Defesa de Sabino
Em contrapartida às críticas, o ministro argumentou que o União Brasil tomou decisões equivocadas e defendeu que os partidos devem priorizar os interesses da população. Ele considerou injusto o processo partidário que enfrenta e manteve sua posição de continuar no governo federal.
Cenário político ampliado
A situação de Sabino não é isolada no cenário político atual. O PP também aprovou a saída de seus integrantes do governo Lula e, nesta quarta-feira, comunicou medidas disciplinares contra o ministro do Esporte, André Fufuca, que resistiu em deixar o ministério.
| Partido | Medida tomada | Ministro afetado |
|---|---|---|
| União Brasil | Discussão de sanções e possível expulsão | Celso Sabino (Turismo) |
| PP | Afastamento de cargos partidários | André Fufuca (Esporte) |
O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, emitiu nota reafirmando que o partido “não faz e não fará parte do atual governo, com o qual não nutre qualquer identificação ideológica ou programática”.
Impactos na estrutura governamental
A permanência de Sabino no governo representa um desafio para a coesão partidária e pode influenciar:
- Relações entre o Executivo e partidos da base aliada;
- Coordenação de políticas públicas, especialmente na área do turismo;
- Preparações para a COP30, evento de grande magnitude internacional;
- Dinâmica das eleições de 2026 e composição de alianças.
O ministro destacou seu envolvimento pessoal com a organização da conferência climática, sugerindo que sua saída poderia comprometer os preparativos finais do evento.
Considerações sobre timing político
A proximidade da COP30 cria uma situação temporal peculiar, onde:
- O evento internacional serve como justificativa para manutenção do cargo;
- O calendário partidário precisa conciliar com compromissos governamentais;
- Decisões disciplinares podem ser postergadas em função do evento;
- O Pará, estado-base do ministro, tem interesse direto na realização bem-sucedida da conferência.
Sabino explicitamente vinculou sua permanência aos interesses do povo paraense e à importância da COP30, estabelecendo uma conexão direta entre sua atuação ministerial e o desenvolvimento regional.
Perspectivas futuras
O desfecho desta disputa interna no União Brasil terá consequências significativas para:
| Âmbito | Possíveis impactos |
|---|---|
| Governo Federal | Estabilidade ministerial e relação com partidos aliados |
| União Brasil | Coesão partidária e definição de linha política |
| Celso Sabino | Trajetória política futura e possibilidade de reeleição |
| COP30 | Continuidade dos preparativos e coordenação do evento |
O ministro mantém sua posição de que a permanência no governo é necessária tanto para os interesses nacionais quanto para os específicos do Pará, criando um embate entre lealdade partidária e compromissos governamentais.






