Medida do governo para baratear alimentos é considerada ineficaz por associações do setor, que criticam a falta de entendimento sobre o mercado.
O governo federal anunciou, nesta quinta-feira (6), a redução a zero da alíquota de importação para diversos alimentos, como carne, café, milho, azeite e outros produtos. A medida tem como objetivo conter a inflação, que tem sido pressionada pelo aumento dos preços dos alimentos. No entanto, associações do setor afirmam que a iniciativa é inócua e demonstra falta de compreensão sobre o funcionamento do mercado.
Críticas ao impacto da medida
Paulo Bertolini, presidente da Abramilho (Associação Brasileira dos Produtores de Milho), classificou a medida como uma “sinalização de que o governo não sabe o que faz”. Ele argumenta que não há fornecedores internacionais capazes de oferecer milho a preços competitivos em relação ao produto brasileiro. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho, atrás apenas dos Estados Unidos e da China, e o segundo maior exportador, seguido pela Argentina.
Bertolini destacou que o preço do milho negociado na Bolsa de Chicago está em US$ 10,61 por saca, enquanto no Brasil o valor é de R$ 86,68. Além disso, ele ressaltou que o Paraguai, principal fornecedor de milho para o Brasil, já tem alíquota zero devido ao acordo do Mercosul.
Estoques baixos e desafios logísticos
O presidente da Abramilho também apontou que os estoques de milho estão em níveis historicamente baixos, reflexo da falta de infraestrutura de armazenagem e da concorrência com a soja, que tem preferência por seu maior valor de venda. Ele criticou a ideia de que o milho seria um dos causadores da inflação, destacando que o aumento de preços é comum durante a entressafra.
“O produtor rural não pode ser culpado pela inflação”, afirmou Bertolini, reforçando que os preços das commodities são determinados pela oferta e demanda globais.
Cenário semelhante no mercado de café
No caso do café, a situação é semelhante. Aguinaldo Lima, diretor de relações institucionais da Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel), afirmou que a medida não trará redução de preços no mercado interno. Ele destacou que o preço do café é um problema global, e não apenas brasileiro.
Lima também ressaltou que o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de café do mundo, o que torna a importação do produto pouco viável economicamente.
Participação do setor privado
Antes de anunciar a medida, o governo ouviu representantes da indústria alimentícia, incluindo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), a ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) e a Abras (Associação Brasileira de Supermercados). No entanto, as críticas das associações indicam que a medida pode não alcançar o efeito desejado.
Produtos afetados pela medida
| Produto | Alíquota de Importação |
|---|---|
| Carne | Reduzida a zero |
| Café | Reduzida a zero |
| Milho | Reduzida a zero |
| Azeite | Reduzida a zero |
| Óleos de girassol e palma | Reduzida a zero |
| Sardinha | Reduzida a zero |
Apesar das críticas, o governo defende a medida como uma forma de aliviar a pressão inflacionária e garantir o abastecimento de alimentos no país. A expectativa é que os estados também reduzam a tributação sobre esses produtos, ampliando o impacto da iniciativa.
Fonte: Folha de S.Paulo






