O escritor, cartunista e humorista Luis Fernando Verissimo faleceu neste sábado (30), aos 88 anos, em Porto Alegre. Considerado um dos maiores autores brasileiros, ele deixa um legado de mais de 60 obras publicadas e personagens que marcaram a cultura nacional.
Segundo informações do Hospital Moinhos de Vento, onde estava internado, o óbito ocorreu às 0h40 devido a complicações de uma pneumonia. O velório será realizado a partir das 12h na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Trajetória e formação
Nascido em 26 de setembro de 1936, Verissimo era filho do também escritor Érico Verissimo e de Mafalda Verissimo. Passou parte da infância e juventude nos Estados Unidos, onde seu pai atuou como professor na Universidade da Califórnia em Berkeley e diretor cultural da União Pan-americana em Washington.
Nesse período, desenvolveu duas paixões que acompanhariam sua vida: a literatura e a música. Aprendeu a tocar saxofone e integrou o grupo Jazz 6, que se autointitulava “o menor sexteto do mundo” por contar com apenas cinco músicos.
Carreira jornalística e literária
Verissimo retornou ao Brasil em 1956 e iniciou sua carreira em redações de jornais. Sua grande oportunidade surgiu ao cobrir as férias do colunista Sérgio Jockymann no jornal Zero Hora, onde posteriormente conquistou espaço próprio.
Seu estilo único combinava:
- Crônicas sobre futebol, cinema e comportamento
- Humor refinado e ironia característica
- Ilustrações feitas pelo próprio autor
Em 1973, lançou seu primeiro livro: “O popular: crônicas, ou coisa parecida”, uma coletânea de textos publicados na imprensa. A primeira edição incluía uma dedicatória curiosa a si mesmo: “Para o autor dos meus dias e outras grandes obras? Um abraço, Luis Fernando”.
Principais obras e personagens
| Ano | Obra | Tipo |
|---|---|---|
| 1982 | A Mesa Voadora | Crônicas |
| 1988 | O jardim do diabo | Primeiro romance |
| 2000 | As Mentiras que os Homens Contam | Crônicas |
| 2001 | Comédias para Se Ler na Escola | Crônicas |
Seus personagens tornaram-se ícones da cultura brasileira. O Analista de Bagé, com seu método terapêutico do “joelhaço”, e a Velhinha de Taubaté, “a última pessoa no Brasil que ainda acredita no governo”, criada durante a decadência da ditadura militar, são exemplos de seu talento para capturar aspectos da sociedade.
Vida pessoal e família
Em 1963, Verissimo casou-se com Lúcia Helena Massa, companheira até seus últimos dias. O casal teve três filhos:
- Fernanda (nascida em 1964)
- Mariana (nascida em 1967)
- Pedro (nascido em 1970)
Em entrevista recente, sua esposa revelou que, nos últimos anos, Verissimo comunicava-se principalmente através de curtas frases em inglês, herança de seu tempo nos Estados Unidos.
Desafios de saúde
Os últimos anos foram marcados por problemas de saúde significativos. Em 2020, foi diagnosticado com câncer ósseo na mandíbula, submetendo-se a uma cirurgia bem-sucedida. No ano seguinte, sofreu um Acidente Vascular Cerebral que interrompeu suas atividades literárias.
As sequelas do AVC, combinadas com o avanço da doença de Parkinson, aceleraram a deterioração de sua saúde nos últimos meses. A pneumonia que culminou em seu falecimento representou o agravamento final desse quadro.
Legado e influência
Com mais de 60 livros publicados, Verissimo consolidou-se como um dos autores mais prolíficos e amados da literatura brasileira contemporânea. Sua capacidade de observar o cotidiano com humor inteligente e perspicácia singular rendeu-lhe lugar cativo entre os grandes nomes das letras nacionais.
Seu trabalho transcendeu gerações, conquistando leitores de todas as idades através de crônicas que abordavam desde temas leves até críticas sociais profundas, sempre com a marca registrada de seu estilo inconfundível.
Repercussão e homenagens
A notícia de seu falecimento gerou imediata comoção no meio cultural e entre seus milhares de leitores. Colegas escritores, artistas e admiradores manifestaram publicamente seu luto e reconhecimento pela contribuição ímpar que Verissimo deixou para a cultura brasileira.
Seu acervo pessoal, incluindo a cópia autografada de seu primeiro livro, integra o patrimônio da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, em São Leopoldo, garantindo a preservação de sua memória literária para futuras gerações.
A trajetória de Luis Fernando Verissimo permanece como testemunho do poder da palavra bem-humorada e da observação aguçada da natureza humana. Sua obra continua a inspirar novos escritores e a encantar leitores em todo o país.






